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La Stupenda,...

...il Tenorissimo
ed il pazzo
©Sidney Romano dos Reis
Caros amigos
“operários”:

Cada vez
mais ficamos órfãos.


Não faz muito tempo,
perdemos uma das maiores e
mais belas vozes da Itália,
Luciano Pavarotti, il Tenorissimo.
Em outubro se foi La
Stupenda.
Momento triste, porém
mais do que apropriado para lembrarmos e
cultivarmos a arte desses dois anjos que Deus nos mandou,
para que com sua vozes celestes pudéssemos embalar nossos sonhos,
alçar vôos a regiões nunca alcançadas e
ficar com olhos lacrimejantes de emoção.
Pela beleza, pelo poder de pronta comunicação que
estabeleciam com seus admiradores e,
sobretudo, porque eram únicos e, talvez ainda pior,
os últimos titãs da Ópera.
Não vem ao caso
rebuscar palavras, nem ter a pretensão de tecer loas e
encômios a vozes tão egrégias quanto raras.
Só trazer à lembrança
suas memórias, seus tesouros deixados,
verdadeiras pérolas da lírica imortal.
Não vou repetir
biografias. Quem quiser é só ter paciência,
pesquisar, acharão às centenas.
Quero ficar no campo
do que conheço, do que me emocionava,
do que me dava calor ao espírito.
Rir lembrando das
trapalhadas nas
L’elisir D’amore e La fille du Regiment.


Enternecer
diante da simplicidade bucólica de
La Sonnambula.

Chorar com
os dramas da Lucia de Lammermoor,
do Rigoletto, da La Traviata, do Il Trovatore.




Ficar
surpreso com Turandot.

Não conhecem?
Deviam e ainda devem.
Sabem porque?
Simples: foram
sublimes, generosos e nos premiaram com
os melhores anos das suas vidas.
Ganharam muito
dinheiro?
Sim.
Nem sempre foram bem
sucedidos?
Também.
Podem ser criticados
friamente?
Lógico.
Desafio qualquer um,
porém, a afirmar que não estão
entre os melhores de sempre.
Que não foram modelos para os que lhes seguiram,
sem nunca, no entanto, poderem almejar
ombreá-los ou substituí-los.


Pode-se
criticar o desvio comercial de Luciano,
que, no entanto popularizou a ópera como nenhum outro?
Sim, claro.
Mas e daí?
Pode se
criticar a nem sempre regular dicção da Sutherland,
ou mesmo seu aspecto nada delicado?
Até se pode, porém, isso é indicativo de mediocridade.
Me perdoem, mas é sim.
Alguém
pode criticar as imaculadas gravações da
Sutherland do fim dos anos 50 até meados dos 70?
Alguém
não se arrepiou ao não ouvir seus agudos mais
que cristalinos, os famosos Ah........ Aahhhhhhhh do
finalzinho
de
cada
ária?
Quem não
se emocionava com Luciano quando ele
cantava a lágrima vertida pela Adina?
Quem não
se sentia vencedor no último
Vincerò da Nessum Dorma?
Quem não
exultava em ouvir a ambos nos magníficos
duetos
e cenas que ourivesaram?
Ah meu
Deus, se tem alguém que negava ou nega a eles
um lugar nos píncaros da glória e não lhes guarde um
pensamento bom ou uma lágrima incontida, que vá ouvir os de hoje,
nessa indigência canora que nos aflige, salvos n’alguns pouquíssimos
casos pelas ou pelos Dessay, Bartoli, Netrebko, Florez, Villazón atuais.
Se não
ouviram La Stupenda e Il Tenorissimo,
façam enquanto há tempo….
Eles
estão imortalizados,
nós não.
Vai que
nas outras esferas não cruzemos com eles,
ou então só mereçamos ouvir aquilo que nossa pequena condição nos
fará experimentar.
Já pensaram?
Que lástima.
Ainda
que tenham já ouvido e não tenham gostado,
façam um esforçozinho. Não por eles, mas por vocês mesmos.
Serão vocês que lucrarão espiritualmente.
Eu vou
ficar aqui em casa, ou no lugar de trabalho,
ou no carro, ouvindo seus inúmeros discos juntos ou solos.
Ficarei imaginando que suas vozes estão a poucos centímetros de
mim, mas que elas penetram e enfeitam minha alma com um poder tão benéfico,
tão delicioso, tão simples, como somente as coisas iluminadas e
intuídas por Deus podem fazer.
Ficarei
feliz, rirei, chorarei,
orarei e esperarei.

Adesso,
pazzo son.......guardate.........
vedi comme io piango ed imploro................
Ave Joan e
Luciano.
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