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audições: brahms |
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05/09/10 |
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O Terceiro B ©Ricardo Labuto Gondim
Para os que não o conheciam intimamente, o senhor Johannes Brahms (Iôrrãnes Brâms) era um homem feroz. Quando alguém observou que o movimento final da sua Primeira Sinfonia era “parecido” com o da IX de Beethoven, ele não hesitou: “Qualquer burro pode ver isso”. Quando o compositor Max Bruch terminou a apresentação do seu próprio concerto para violino, as únicas palavras que ouviu de Brahms foram: “Onde você compra o seu papel de música? É de primeira qualidade!”. Certa vez, ele abandonou um salão de jantar dizendo: “Se existe alguém a quem eu tenha esquecido de ofender, queira aceitar minhas desculpas”. Ao que consta, a pergunta era totalmente desnecessária. O Revolucionário conservador
Vício e virtude Pouco depois, o rapaz foi recebido em Düsseldorf pelo compositor Robert Schumann, cuja vida e sanidade estavam com os dias contados. Brahms identificou-se imediatamente com a sincera recepção de Schumann, que mandou chamar a esposa para ouvir a excelente música do jovem visitante.
Discutindo o caso, biógrafos sublinham as dificuldades de Brahms no relacionamento com mulheres. Observam que, nascido numa família muito pobre, ele foi pianista numa espécie de bordel quando ainda estava entrando na puberdade. Ou seja, teve seu primeiro contato com o universo feminino – fora daquele representado pela mãe – num cenário de decadência e exploração sexual. Considerando a sociedade puritana e altamente ritualizada do seu tempo, a experiência pode ter arranhado a imagem que Brahms fazia das mulheres. Em sua maturidade ele diria: “Infelizmente nunca me casei. Mas graças a Deus continuo solteiro”. O Terceiro B
Cumpriu-se a profecia de Schumann. Concerto em ré maior para violino e orquestra, opus 77
Joachim cuidou para que as partes mais difíceis fossem “executáveis”. Isso não limitou ousadias como as que obrigam o solista a atacar três cordas ao mesmo tempo num dos concertos mais difíceis e originais do repertório romântico. Uma obra digna de estar ao lado do Concerto para violino de Beethoven, carinhosamente chamado de “Concerto contra o violino”. O primeiro movimento é um tour de force. Uma introdução de caráter pastoral é entrecortada por uma massa de sons nas cordas que elevam a música a uma esfera ardente e arrebatadora. Há uma distensão seguida por uma passagem breve e complexa. O violino solista irrompe com fúria, oscilando entre o ímpeto e a melancolia romântica ao longo de todo o movimento. Antes da conclusão acontece a tradicional “cadenza”: a orquestra pára num ponto da partitura para que o músico exiba a sua técnica de modo radical, improvisando a partir dos temas principais do movimento. Este é o último concerto romântico a permitir essa improvisação. O segundo movimento é lento e lírico, revelando mais sobre o caráter de Brahms do que ele teria desejado exibir. O fato é que a música e seu espírito acabaram impondo-se por si mesmos. Como todos os movimentos lentos das obras orquestrais de Brahms, este também é uma obra-prima. O terceiro movimento é veloz e dançante. Há passagens flamejantes e selvagens, de tremenda dificuldade técnica sob uma aparência ligeira e rústica. Um dos momentos mais empolgantes da obra. GRAVAÇÃO RECOMENDADA
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Este site foi atualizado em 29/11/06