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audições: beethoven |
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05/09/10 |
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A Apoteose do ritmo ©Ricardo Labuto Gondim
Talvez até concorde com elas. EM ALGUM LUGAR DO PASSADO Ludwig van Beethoven foi batizado na Bélgica em 5 de janeiro de 1712. Antes que os amantes da música fechem o logos eletrônico para nunca mais voltar, me apresso em dizer que não estamos falando do compositor alemão, mas do seu avô. Vovô Beethoven chegou à cidade alemã de Bonn em 1733 fazendo duas conquistas decisivas, uma ótima e outra péssima. Dou a boa notícia primeiro: o velho, então um jovem músico ambicioso, organista de segunda e cantor de primeira, conquistou a cobiçada posição de Kapellmeister da corte. Tornou-se o responsável pela música na capela, no teatro, nos salões de baile e nos concertos. Nada mal para quem literalmente fugira da Bélgica para escapar dos tribunais flamengos: seu pai estava falido e as dívidas da família chegavam a 10 mil florins. Ainda hoje uma pequena fortuna. Agora a má notícia: o jovem e fogoso kapellmeister apaixonou-se de um modo profundo, intenso e sublime – exatamente como você se apaixonou aos 21 anos, lembra? Pois bem, fraulein Maria Josepha Poll de 19 anos correspondeu. O mestre-capela conduziu a noiva ao altar naquele mesmo ano pródigo de angústias, aventuras, conquistas e infindáveis promessas. MAS ONDE ESTÁ A MÁ NOTÍCIA?
JOHANN “DER LÄUFER” Crescendo para tornar-se professor de música, Johann van Beethoven tinha péssimo caráter e a indesejável herança do alcoolismo da mãe. Tanto é que a severa oposição do velho Ludwig ao seu casamento foi prudentemente partilhada pelos pais da noiva, Maria Magdalena, uma viúva de 21 anos que passou o resto da vida deplorando sua escolha. Há evidências de que Johann tenha aliviado a sogra de todas as economias quando se casou em 1767. Com a morte do velho Ludwig em 1774, Johann viveu única e exclusivamente para esgotar garrafas, sacando a última rolha em 1792. Na época, disseram que sua morte havia causado imenso prejuízo na arrecadação do imposto sobre bebidas. Este homem trágico e patético gerou um dos maiores compositores da história; o mestre que rompeu com os simétricos limites do classicismo para transformar a música austro-alemã numa revelação mais alta que qualquer filosofia: Ludwig van Beethoven – o neto, que nasceu em 1770. MÚSICA HERÓICA
Com a morte de Johann e Maria Magdalena, o jovem Ludwig van Beethoven abandonou a escola para sustentar a casa e garantir o estudo dos irmãos menores. Mais tarde, aos 38 anos, enfrentando uma alternância de zumbidos e dores de ouvido agudas descobriu que estava ficando surdo. COMPOSITOR NUM UNIVERSO SILENCIOSO
O caráter heróico, que enxerga na arte “a esperança de uma vida superior” é a essência mais profunda da sua obra. Especialmente das sinfonias – profundas, complexas, construídas com rigor e lógica implacáveis por uma razão ampla e sem concessões. Expressões de coragem, de “tempestade e ímpeto”, estas verdadeiras catedrais sonoras estão entre as maiores criações da humanidade: a música heróica é a vitória do Homem sobre o tempo e sobre a morte. A GLORIFICAÇÃO DO RITMO Ouvindo Beethoven você vai sentir que ele compôs pra você – só pra você. Para experimentar o mundo de poder e vitória das suas sinfonias, vamos começar por aquela que Richard Wagner chamou de “a apoteose do ritmo”: a VII Sinfonia em Lá Maior, Opus 92. Nesta música de 1812 o compositor esgota as possibilidades da orquestra de modestas proporções do seu tempo: 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, tímpanos e cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos). O I Movimento começa com ataques de uma única nota por todos os instrumentos da orquestra, intercalados por exposições do tema principal nas madeiras. A solenidade dos acordes maciços em contraste com a leveza dos sopros estabelece imediatamente uma tensão tipicamente beethoveniana, com mudanças bruscas e contínuas entre fortissimo e pianissimo -- entre expressões de cólera, coragem e humor – praticamente ao longo de toda a Sinfonia. O II Movimento é uma espécie de marcha fúnebre, pulsação escura e hipnótica com eventuais erupções de força, de insubmissão ao “destino” e à morte. O III é uma “cavalgada”. Segure-se. O IV Movimento é um turbilhão de sonoridades, ritmos desordenados e acordes dissonantes: um dos momentos mais vigorosos da história da música. GRAVAÇÃO RECOMENDADA
Se existe destino, o de Kleiber era fazer esta interpretação monumental da Sétima. O seu é ouvi-la.
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Este site foi atualizado em 29/11/06