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cinema: dulce veiga |
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05/09/10 |
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Onde andará Dulce Veiga? ©Guilherme de Almeida Prado
Faço cinema só pela necessidade que tenho de fazer cinema, por isso procuro fazer como quem escreve uma poesia. Não como um poeta solitário, sozinho em seu quarto, mas como se estivesse num bar, numa festa, cercado de todos os amigos de que preciso e que me ajudam a fazer o filme. Gostaria também que todos assistissem meus filmes assim, como se estivessem numa festa, num bar, cercados de todos os amigos.
Sou do tempo em que não se era obrigado a sair do cinema quando acabava o filme. O intervalo dava tempo apenas para você ir ao banheiro e voltar para assistir o mesmo filme novamente, sem pagar outra vez. Vi assim um número enorme de filmes e acho que isso influenciou minha visão do cinema, e mudou minha maneira de fazer filmes. Faço filmes que possam ser vistos mais de uma vez. Acho até que eles precisam ser vistos mais de uma vez para serem totalmente compreendidos e apreciados. Meu espectador ideal seria aquele que ficasse pelo menos duas sessões seguidas assistindo meu filme. Rever filmes influenciou minha forma de montar a estória, de tal maneira que, numa segunda leitura, já tendo conhecimento do que vai acontecer a seguir, se compreenda de forma diferente a cena que está sendo revista e se perceba um detalhe da imagem ou do som que passou desapercebido na primeira leitura. E assim, cada vez que se assiste ao filme, é possível montar uma nova estória, com diferentes significados, a partir da própria inter-relação dos fatos e detalhes. Tenho uma explicação para essa maneira de fazer cinema: se eu for escolher uma lista dos meus filmes prediletos, de muitos deles não gostei à primeira vista. Foi o caso de “Cidadão Kane”, que numa primeira leitura achei confuso e sem emoção, mas todos tinham falado tanto do tal filme que resolvi assistir novamente. Na segunda vez comecei a achar que havia alguma coisa interessante. Hoje já o assisti mais de trinta vezes e sempre encontro algo novo e surpreendente. Posso citar vários outros filmes em que a mesma coisa aconteceu. Isso me fez perceber o tipo de filme que gostaria de fazer. Um filme que pudesse ser visto e revisto várias vezes. Compreendo que esses filmes “estranhos” provoquem uma certa insegurança quando os vemos pela primeira vez. Como crianças que preferem rever infinitamente o mesmo filme de Walt Disney, nós adultos buscamos a segurança de assistir sempre aos mesmos filmes, só que disfarçados de novos, seja como refilmagens, continuações ou, principalmente, gêneros estabelecidos. Sinto um certo prazer em provocar inquietação nas platéias dos meus filmes. Sei que muitas vezes isso afasta o “grande público”, que só ao rever um filme como “Onde Andará Dulce Veiga?” poderia de fato desfrutar suas muitas camadas de prazer e entretenimento. Mas prefiro correr esse risco a fazer filmes populares e descartáveis. O REAL E A PERCEPÇÃO DO REAL
Entre os primeiros estão os cineastas realistas e preocupados com uma reprodução e análise fiel da realidade. Procuro estar entre os segundos, porque acredito que, sem mudar nossa percepção do mundo, não se poderá mudar efetivamente o mundo. Mudanças na percepção do mundo são mais duradouras. Nada mudou mais o mundo no século XX do que o aparecimento do Comunismo e, no entanto, menos de um século depois, muita coisa já parece estar sendo rediscutida e até retrocedendo. No entanto, no mesmo século, acredito que nada mudou mais a percepção do mundo do que o aparecimento do Cinema. Não é mais possível definir ou imaginar o mundo sem usar símbolos e ícones desenvolvidos pelo Cinema. A linguagem cinematográfica nos ajuda a melhor enxergar nossa realidade. Acredito que não se pode mais imaginar o mundo sem a percepção desenvolvida por Kafka ou Einstein e, no mundo do Cinema, quem conhece os filmes de Fellini, goste deles ou não, tem uma percepção do mundo acrescentada de uma perspectiva felliniana. É claro que “Onde Andará Dulce Veiga?” não mudará o mundo. Mas, se conseguir mudar um bilionésimo de uma partícula de um grão de areia na percepção que temos do mundo, particularmente do mundo brasileiro, estarei totalmente recompensado.
Sempre tive uma grande preocupação com a linguagem. Truffaut já disse que todas as estórias já foram contadas. Cabe às novas gerações apenas contá-las de maneira diferente. É o modo de contar estórias que identifica as gerações. Ao contar uma estória que se passa nos anos 80, me preocupei não apenas em ser fiel à linguagem e ao universo de Caio Fernando Abreu, um dos melhores “tradutores” da linguagem dos anos 80 na literatura brasileira, mas também não quis perder a noção de que estava contando esta estória para um público do século XXI, já influenciado pelas novas linguagens da internet, dos videogames e da globalização -- para mim, as três maiores influências na criação de uma nova linguagem cinematográfica neste século. Somar o universo pós-moderno dos anos 80 com a linguagem da internet, que relaciona fatos e idéias de forma globalizada e quase aleatória, com a multiplicidade de caminhos e opções dos videogames, foi e continua sendo um dos meus maiores interesses no desenvolvimento de uma nova forma de contar estórias.
Star/Raiz e Petrobras
de Guilherme de
Almeida Prado SINOPSE Um jornalista resolve descobrir o paradeiro de Dulce Veiga (uma atriz e cantora que fez sucesso nos anos 60 e desapareceu misteriosamente) sem saber o quanto terá que descobrir sobre si mesmo antes que possa encontrá-la. Baseado no romance autobiográfico do escritor Caio Fernando Abreu, um dos mais importantes escritores brasileiros dos anos 80, o filme é um thriller psicológico com clima de suspense, que discute a questão da fama e do sucesso, da supervalorização que se dá nos tempos atuais às questões da celebridade à qualquer custo na busca pela felicidade. O livro é o maior sucesso internacional de Caio, sendo traduzido para várias línguas: Inglês (Whatever Happened to Dulce Veiga?), Francês (Qu’est Devenue Dulce Veiga?), Alemão (Was Geschah Wirklich Mit Dulce Veiga?), Italiano (Dov’é finita Dulce Veiga?), Espanhol (¿Adonde Andará Dulce Veiga?), Holandês (Waar Zit Dulce Veiga?). A edição americana do ano 2000 recebeu duas excelentes críticas no “The New York Times”, uma delas intitulada “Last Samba in São Paulo”. O roteiro do filme foi selecionado pelo “The Sundance Institute” para um Laboratório em 2002. SOBRE O DIRETOR Guilherme de Almeida Prado estreou no cinema com a pornochanchada “As Taras de Todos Nós” (1981), depois realizou “Flor do Desejo (1984) e os premiados “A Dama do Cine Shanghai” (1987), “Perfume de Gardênia” (1992) e “A Hora Mágica” (1998), além do curta “Glaura” (1995). ELENCO MAITÊ
PROENÇA Dulce Veiga APRESENTANDO CAROLINA DIECKMANN
Márcia EQUIPE TÉCNICA
Produtora Assunção
Hernandes Assessoria
de imprensa: |
Este site foi atualizado em 20/09/07