cinema: dulce veiga

05/09/10

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Guilherme de Almeida Prado é um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos. Às vésperas de estrear seu sexto longa-metragem, ele transforma um depoimento numa declaração de amor ao cinema. E afirma: "como
crianças que preferem rever infinitamente o mesmo filme de Walt Disney, nós adultos buscamos a segurança de assistir sempre aos mesmos filmes, só que disfarçados de novos, seja como refilmagens, continuações ou, principalmente, gêneros estabelecidos.''

Onde andará Dulce Veiga?

©Guilherme de Almeida Prado


Meu sonho sempre foi fazer cinema como quem escreve uma poesia. Sei que cinema não é como poesia em que o poeta só precisa de uma mesa, uma cadeira, uma folha de papel em branco e um lápis. Cinema é uma atividade coletiva, extremamente cara, e é preciso ser responsável e se preocupar com o espectador, com as bilheterias, com o patrocinador, com o mercado, com o distribuidor, com o exibidor e tantas outras coisas que afastam o cineasta da possibilidade de poder experimentar e fazer avançar um pouco mais as fronteiras da arte cinematográfica. Para se escrever poesia não é preciso se preocupar nem mesmo com o leitor. Um poeta escreve pela necessidade e pelo prazer de escrever poesia. Nada mais.

Faço cinema só pela necessidade que tenho de fazer cinema, por isso procuro fazer como quem escreve uma poesia. Não como um poeta solitário, sozinho em seu quarto, mas como se estivesse num bar, numa festa, cercado de todos os amigos de que preciso e que me ajudam a fazer o filme. Gostaria também que todos assistissem meus filmes assim, como se estivessem numa festa, num bar, cercados de todos os amigos.

MONTANDO E REMONTANDO A ESTÓRIA

Sou do tempo em que não se era obrigado a sair do cinema quando acabava o filme. O intervalo dava tempo apenas para você ir ao banheiro e voltar para assistir o mesmo filme novamente, sem pagar outra vez. Vi assim um número enorme de filmes e acho que isso influenciou minha visão do cinema, e mudou minha maneira de fazer filmes. Faço filmes que possam ser vistos mais de uma vez. Acho até que eles precisam ser vistos mais de uma vez para serem totalmente compreendidos e apreciados. Meu espectador ideal seria aquele que ficasse pelo menos duas sessões seguidas assistindo meu filme.

Rever filmes influenciou minha forma de montar a estória, de tal maneira que, numa segunda leitura, já tendo conhecimento do que vai acontecer a seguir, se compreenda de forma diferente a cena que está sendo revista e se perceba um detalhe da imagem ou do som que passou desapercebido na primeira leitura. E assim, cada vez que se assiste ao filme, é possível montar uma nova estória, com diferentes significados, a partir da própria inter-relação dos fatos e detalhes.

Tenho uma explicação para essa maneira de fazer cinema: se eu for escolher uma lista dos meus filmes prediletos, de muitos deles não gostei à primeira vista. Foi o caso de “Cidadão Kane”, que numa primeira leitura achei confuso e sem emoção, mas todos tinham falado tanto do tal filme que resolvi assistir novamente. Na segunda vez comecei a achar que havia alguma coisa interessante. Hoje já o assisti mais de trinta vezes e sempre encontro algo novo e surpreendente. Posso citar vários outros filmes em que a mesma coisa aconteceu. Isso me fez perceber o tipo de filme que gostaria de fazer. Um filme que pudesse ser visto e revisto várias vezes.

Compreendo que esses filmes “estranhos” provoquem uma certa insegurança quando os vemos pela primeira vez. Como crianças que preferem rever infinitamente o mesmo filme de Walt Disney, nós adultos buscamos a segurança de assistir sempre aos mesmos filmes, só que disfarçados de novos, seja como refilmagens, continuações ou, principalmente, gêneros estabelecidos. Sinto um certo prazer em provocar inquietação nas platéias dos meus filmes. Sei que muitas vezes isso afasta o “grande público”, que só ao rever um filme como “Onde Andará Dulce Veiga?” poderia de fato desfrutar suas muitas camadas de prazer e entretenimento. Mas prefiro correr esse risco a fazer filmes populares e descartáveis.

O REAL E A PERCEPÇÃO DO REAL

Para mim, existem dois tipos de artistas cineastas: aqueles que acreditam que seus filmes podem, mesmo que de forma infinitesimal, mudar o mundo, e aqueles que acreditam que seus filmes podem, mesmo que algo próximo do nada, mudar nossa percepção do mundo.

Entre os primeiros estão os cineastas realistas e preocupados com uma reprodução e análise fiel da realidade.

Procuro estar entre os segundos, porque acredito que, sem mudar nossa percepção do mundo, não se poderá mudar efetivamente o mundo.

Mudanças na percepção do mundo são mais duradouras. Nada mudou mais o mundo no século XX do que o aparecimento do Comunismo e, no entanto, menos de um século depois, muita coisa já parece estar sendo rediscutida e até retrocedendo. No entanto, no mesmo século, acredito que nada mudou mais a percepção do mundo do que o aparecimento do Cinema. Não é mais possível definir ou imaginar o mundo sem usar símbolos e ícones desenvolvidos pelo Cinema. A linguagem cinematográfica nos ajuda a melhor enxergar nossa realidade.

Acredito que não se pode mais imaginar o mundo sem a percepção desenvolvida por Kafka ou Einstein e, no mundo do Cinema, quem conhece os filmes de Fellini, goste deles ou não, tem uma percepção do mundo acrescentada de uma perspectiva felliniana.

É claro que “Onde Andará Dulce Veiga?” não mudará o mundo. Mas, se conseguir mudar um bilionésimo de uma partícula de um grão de areia na percepção que temos do mundo, particularmente do mundo brasileiro, estarei totalmente recompensado.

OS ANOS 80

Sempre tive uma grande preocupação com a linguagem. Truffaut já disse que todas as estórias já foram contadas. Cabe às novas gerações apenas contá-las de maneira diferente. É o modo de contar estórias que identifica as gerações.

Ao contar uma estória que se passa nos anos 80, me preocupei não apenas em ser fiel à linguagem e ao universo de Caio Fernando Abreu, um dos melhores “tradutores” da linguagem dos anos 80 na literatura brasileira, mas também não quis perder a noção de que estava contando esta estória para um público do século XXI, já influenciado pelas novas linguagens da internet, dos videogames e da globalização -- para mim, as três maiores influências na criação de uma nova linguagem cinematográfica neste século.

Somar o universo pós-moderno dos anos 80 com a linguagem da internet, que relaciona fatos e idéias de forma globalizada e quase aleatória, com a multiplicidade de caminhos e opções dos videogames, foi e continua sendo um dos meus maiores interesses no desenvolvimento de uma nova forma de contar estórias.

Star/Raiz e Petrobras
apresentam

de Guilherme de Almeida Prado
“Onde Andará Dulce Veiga?”
da obra de Caio Fernando Abreu

SINOPSE

Um jornalista resolve descobrir o paradeiro de Dulce Veiga (uma atriz e cantora que fez sucesso nos anos 60 e desapareceu misteriosamente) sem saber o quanto terá que descobrir sobre si mesmo antes que possa encontrá-la.

Baseado no romance autobiográfico do escritor Caio Fernando Abreu, um dos mais importantes escritores brasileiros dos anos 80, o filme é um thriller psicológico com clima de suspense, que discute a questão da fama e do sucesso, da supervalorização que se dá nos tempos atuais às questões da celebridade à qualquer custo na busca pela felicidade.

O livro é o maior sucesso internacional de Caio, sendo traduzido para várias línguas: Inglês (Whatever Happened to Dulce Veiga?), Francês (Qu’est Devenue Dulce Veiga?), Alemão (Was Geschah Wirklich Mit Dulce Veiga?), Italiano (Dov’é finita Dulce Veiga?), Espanhol (¿Adonde Andará Dulce Veiga?), Holandês (Waar Zit Dulce Veiga?).

A edição americana do ano 2000 recebeu duas excelentes críticas no “The New York Times”, uma delas intitulada “Last Samba in São Paulo”. O roteiro do filme foi selecionado pelo “The Sundance Institute” para um Laboratório em 2002.

SOBRE O DIRETOR

Guilherme de Almeida Prado estreou no cinema com a pornochanchada “As Taras de Todos Nós” (1981), depois realizou “Flor do Desejo (1984) e os premiados “A Dama do Cine Shanghai” (1987), “Perfume de Gardênia” (1992) e “A Hora Mágica” (1998), além do curta “Glaura” (1995).

ELENCO

MAITÊ PROENÇA                                                    Dulce Veiga
CHRISTIANE TORLONI                                          
 Lyla Van
JULIA LEMMERTZ                                                   Lídia
NUNO LEAL MAIA                                                   Rafic
OSCAR MAGRINI                                                    Alberto Veiga
IMARA REIS                                                           Teresinha
MATILDE MASTRANGI                                             Iracema / Diretora
CACÁ ROSSET                                                        Castilhos                   

APRESENTANDO

CAROLINA DIECKMANN                                           Márcia
ERIBERTO LEÃO                                                     Caio
CARMO DELLA VECHIA                                         
 Raudério
MAIRA CHASSERAUX                                              Patrícia
FRANCARLOS REIS                                               
 Pepito            

EQUIPE TÉCNICA

Produtora                                                         Assunção Hernandes
Produtor Executivo                                          Fernando Andrade
Produção de Lançamento                                 Rafael Franco
Diretor de Produção                                        Farid Tavares
Diretor de Fotografia                                     Adrian Teijido
Som Direto                                                         Silvio Da-Rin
Diretor de Arte                                                 Luís Rossi
Efeitos Especiais                                                Marcelo Siqueira, ABC
Figurinista                                                         Fábio Namatame
CENOGRAFIA                                                         Heron Medeiros
Trilha Sonora                                                    Hermelino Neder
                                                                            Newton Carneiro
PRODUÇÃO DE eLENCO                                           Vivian Golombek
                                                                            Renata Kalman

Assessoria de imprensa:
Rafael Franco
- rafaelfranco@raizprod.com.br - (11) 3024-4499
Rua Cerro Corá, 550, sl 08, Alto da Lapa – São Paulo – SP CEP 05061-100

 

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Este site foi atualizado em 20/09/07