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áudio: matchpoint |
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28/08/10 |
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Parafraseando Sua Excelência, o mestre do idioma Millôr Fernandes, o MP3 é como Paulo Coelho: não tem defesa. E também não tem dinâmica, pureza de som e os outros quesitos do jargão audiófilo. Mesmo a 320 Kbps em birate fixo no LAME – codec de excelente desempenho que roda como software ou DLL (baixe aqui) – acho o resultado deplorável. Claro, se você ouve Iron Maiden e Metallica pode desprezar as diferenças (não, não estou sendo irônico, se tem uma coisa que eu respeito em matéria de música moderna é o Heavy Metal; gosto do peso wagneriano do Motörhead e acho que Stravinsky não renegaria seu reflexo no brilho polirrítmico do Metallica). No último ano fiz minhas caminhadas com um MP4 a tiracolo. Um tocador baratinho da marca Kaiomy com duas polegadas de tela, gravador com microfone embutido, reprodutor de vídeos, fotos, textos, MP3 e – só descobri mais tarde – WMA. O bicho é valente. Passou centenas de horas nas minhas mãos molhadas de suor e sob a pressão do elástico do short contra a minha cintura. Cansei de esquecer o Kaiomy no bolso traseiro da calça, despejando-lhe 80 Kg de pressão em poltronas e bancos de praça. Nunca parou de tocar e seu software jamais travou. Não resisti a um teste comparativo e achei o som praticamente idêntico ao iPod da minha irmã. As suaves distinções não eram para melhor ou pior, mas meramente diferentes. Aliás, num quesito o iPod perdeu feio: enquanto é preciso gerenciá-lo com aquele programinha enjoado, o Kaiomy é organizado como um pendrive. Você pluga no micro, abre quantas pastas quiser e joga os arquivos lá dentro. Simples assim. Essa facilidade de operação acendeu a cobiça de minha amada irmã, de modo que para poupá-la do pecado mortal da inveja passei-lhe o MP4. As razões não foram exatamente altruístas:
Quando comprei o aparelhinho, o balconista foi enfaticamente decisivo ao afirmar que “lamentavelmente” o produto não tocava WMA. Tolo, imerso na idéia universal do MP3, condicionado e tangido pelo marketing como um bovino, esqueci do meu imperativo categórico de duvidar de tudo e nem me toquei de fazer o teste. Descobri a verdade por acaso na despedida do Kaiomy. Mas não tem importância. Mesmo com buzinas e motos de baixa cilindrada com escapamento aberto, a superioridade do CD ainda se faz ouvir.
Comentei o episódio com meu amigo Eduardo de Lima, que demonstrou um interesse cordial mas não fez comentários. Semanas depois ele me emprestou o seu LandoAPX MATCHPOINT, um pequeno pré-amplificador cilíndrico desenhado para fontes de áudio com saída de fones de ouvido otimizado para o iPod da Apple. Rapaz, o menino – discreto, elegante e com aquele acabamento criterioso da Lando – pois esse menino fez bonito. Embora equacionado para o hardware de Steve Jobs, o MATCHPOINT concedeu distinção e nobreza ao meu clone mandarim. As diferenças de tratamento entre o Kaiomy e o iPod original tiveram de ser procuradas com atenção. Existiam sim, mas de novo como meras diferenças, sem impor noções de “superioridade” de um ou de outro. Aliás, essa ocorrência é cada vez mais comum, a tecnologia e seus recursos estão aí para todos, produzir algo ruim hoje em dia é quase uma opção mercadológica. Segundo o manual, o produto cumpre quatro funções:
As conexões são rápidas e intuitivas. O MATCHPOINT possui um seletor para as duas entradas independentes e uma chave com dois níveis de ganho. Você pluga visitantes sem desconectar o seu tocador e ainda obtém um ajuste imediato. Se você é tão chato quanto eu, pode estabelecer a relação entre o volume do tocador de MP3, o ganho do MATCHPOINT e o volume do sistema para determinar a solução ótima em poucos minutos. O resultado - que descreve a ação do produto - é um sinal "liso e fluído". O MATCHPOINT é quase um milagre, pois o MP3 realmente não tem defesa. Mas a diferença é alarmante. Convidei um casal adepto dos tocadores de MP3 para um teste cego (coisa que costumo propor a mim mesmo com a assistência compulsória de minha paciente mulher, que receia que tais eventos sejam atos de um masoquismo metódico). A percepção dos resultados com e sem MATCHPOINT foi instantânea mesmo nos níveis de compressão mais baixos. Isso me levou a uma peraltice que ainda não dividi com ninguém. Tendo demitido o Kaiomy, pluguei meu debilitado tocador de CD portátil no MATCHPOINT. Inevitavelmente a tal correção de timbre agiu sobre o sinal do CD. Em música clássica ocorreram fraudes e pequenos delitos, como um fagotista tocando de pé aqui e ali, violoncelos aveludados, baixos mais opulentos... Mas o resultado foi tão superior à plugagem direta que agora o MATCHPOINT é a interface entre o CD portátil e um pesado e musical Gradiente AH II, que empurra sem transpirar um par de falantes planares. Abro um parêntese: quanto ao adjetivo “musical” atribuído ao AH II, quero acrescentar que as evoluções da tecnologia das últimas décadas não revogam o mérito “histórico” desse duplo mono projetado por Luiz Salvatore, criador do delicioso single ended LAS 572-3 SE e dos poderosos Exaudi. O AH II ainda toca mais bonito que muitos amplificadores Hi-Fi modernos vendidos a preço de caviar beluga. Se garimpar com vontade, com mil reais você compra uma unidade em ótimas condições para montar um sistema bacana sem quebrar a "firma". Voltando ao MATCHPOINT, se você precisa de um equipamento do gênero ouça-o e compare com seus concorrentes mais nobres, mais famosos e caros. Se por uma exclusiva questão de gosto pessoal o MATCHPOINT te agradar mais (pois nada nesse mundo é mais importante que o seu próprio gosto), parabéns: você economiza dinheiro e o Brasil não perde divisas. Somos um povo musical, nossos projetistas não são apenas engenheiros: eles gostam de música e desenham equipamentos para ouvir música. Em qualquer lugar do mundo existem capacitores e transistores de desempenho compatível. A diferença, amigão, está na prancheta. Só para constar, na
Lando eu tenho desconto mas não ganho comissão. Se ganhasse, teria lançado este artigo junto com o seu 13°.
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Este site foi atualizado em 12/08/09